O que começou como uma investigação técnica do Banco Central transformou-se, nas últimas semanas, num dos maiores escândalos político-financeiros da história recente do Brasil. A liquidação extrajudicial do Banco Master, determinada em novembro de 2025, abriu a “caixa de Pandora” de um esquema que envolve figuras do Supremo Tribunal Federal (STF), membros do Governo e governadores estaduais.
O Colapso e a Fraude Bilionária
Em novembro de 2025, o Banco Central do Brasil decretou a liquidação do Banco Master devido a uma “grave crise de liquidez” e violações sistemáticas das normas financeiras. A Polícia Federal (PF) lançou a Operação Compliance Zero, revelando um cenário de:
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Manipulação Contábil: Ativos inflacionados artificialmente para ocultar rombos.
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Títulos Falsos: Emissão de créditos sem lastro real.
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Impacto no FGC: O Fundo Garantidor de Créditos poderá ter de desembolsar entre 39 e 52 mil milhões de reais (cerca de 7 a 9 mil milhões de euros) para ressarcir clientes — a maior intervenção desta natureza já registada no país.
O “Braço Judicial”: STF sob fogo cruzado
O escândalo ganhou uma dimensão explosiva quando as investigações atingiram o coração do sistema judicial.
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Dias Toffoli: O ministro do STF é o centro das atenções após ter avocado (tomado para si) a relatoria do inquérito em dezembro de 2025 e imposto sigilo absoluto. Recentemente, foi revelado que fundos ligados ao Banco Master adquiriram participações de familiares do ministro num resort de luxo (Tayayá). Toffoli nega qualquer irregularidade, mas a sua situação é descrita por investigadores como “insustentável”.
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Alexandre de Moraes: Relatos da imprensa (The Economist e O Globo) apontam para um contrato de consultoria de 126 milhões de reais entre o Banco Master e um escritório de advocacia ligado à esposa do ministro. Embora não existam provas de ilegalidade, o valor é considerado “fora dos padrões de mercado”.
Implicações Políticas: Do Planalto ao Distrito Federal
O Governo de Luiz Inácio Lula da Silva tem tentado distanciar-se da polémica. O atual Ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, é mencionado por ter prestado consultoria estratégica ao banco antes de assumir o cargo no Executivo.
No plano distrital, o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, enfrenta pedidos de destituição (impeachment) devido a suspeitas de irregularidades envolvendo o BRB (Banco Regional de Brasília) e aportes no Master. No Rio de Janeiro, a Operação Barco de Papel investiga investimentos suspeitos do fundo de pensões dos servidores estaduais (Rioprevidência) na instituição de Daniel Vorcaro, o dono do Master.
Repercussão Internacional
A prestigiada revista The Economist dedicou uma peça ao caso, sublinhando como o “Caso Master” se tornou o símbolo da perigosa mistura entre interesses financeiros e as altas esferas da política e da justiça no Brasil. O efeito direto tem sido um desgaste sem precedentes na confiança das instituições democráticas brasileiras.