O Turquemenistão, país da Ásia Central, tem chamado a atenção internacional devido a um conjunto de medidas invulgares que afetam o quotidiano dos seus cidadãos, particularmente no que concerne à utilização de automóveis. Entre escolhas estéticas impostas pelo governo, proibições difíceis de justificar e decisões que condicionam a mobilidade e a vida privada, o país destaca-se pelas regras excêntricas que moldam o seu ambiente urbano e social.
Na capital, Ashgabat, cidade conhecida pelos seus edifícios revestidos a mármore, apenas é permitida a circulação de veículos de cor branca. Esta preferência tornou-se regra em 2015, altura em que foi noticiado que quem desejasse adquirir um carro novo teria obrigatoriamente de o comprar nessa cor.
Nos anos subsequentes, surgiram relatos de que as autoridades turcomenas estariam a apreender veículos de outras cores nas ruas. Para reaverem os seus carros, os proprietários eram forçados a assinar um documento no qual se comprometiam a pintar a carroçaria de branco, condição essencial para voltarem a circular.
Esta imposição teve um impacto significativo nos condutores e no mercado automóvel. Muitos proprietários de carros pretos viram-se forçados a procurar compradores noutros países, pois não conseguiam suportar os custos da repintura. O aumento repentino da procura fez disparar os preços nos poucos estaleiros autorizados a alterar a cor dos veículos, dificultando ainda mais a vida de quem necessitava de cumprir a regra.
Apesar de nunca ter sido apresentada uma justificação oficial para esta medida, diversos órgãos de comunicação social internacionais avançaram que o presidente do país, Gurbanguly Berdymukhammedov, acredita que a cor branca atrai a boa sorte. Esta não foi a única medida peculiar tomada ao longo dos anos. Em 2014, o líder ordenou a remoção dos aparelhos de ar condicionado das fachadas dos edifícios de Ashgabat com o objetivo de tornar a cidade “mais estética”.
As regras excêntricas no Turquemenistão não se limitam aos automóveis. Circular com o carro sujo é proibido e pode gerar problemas com as autoridades. Do mesmo modo, deixar crescer a barba antes dos 40 anos ou alterar o nome de um cavalo são atitudes consideradas ilícitas, reforçando a imagem do país como um lugar onde as decisões governamentais podem parecer arbitrárias.
Fonte: postal.pt