União Europeia adia sistema biométrico de entrada e saída para 2026

The Portugal News

A União Europeia anunciou um novo adiamento para a introdução do seu muito aguardado Sistema de Entrada/Saída (EES) biométrico, um pilar fundamental da modernização das fronteiras externas do espaço Schengen. Esta medida, que representa uma alteração significativa no cronograma de implementação, empurra a data de lançamento para setembro de 2026. O Sistema de Entrada/Saída (EES) foi concebido para digitalizar e otimizar o registo de viajantes de países terceiros que atravessam as fronteiras da UE, substituindo o atual processo manual de carimbagem de passaportes. Este desenvolvimento sublinha os desafios inerentes à concretização de um projeto desta envergadura, que visa reforçar a segurança e a eficácia da gestão fronteiriça. A decisão de adiar visa garantir que todos os Estados-Membros e infraestruturas estejam plenamente preparados para acolher a nova tecnologia, minimizando potenciais perturbações no fluxo de passageiros.

A natureza do sistema EES e o seu propósito

O Sistema de Entrada/Saída (EES) representa uma das mais ambiciosas iniciativas da União Europeia para modernizar o controlo das suas fronteiras externas. Concebido como um sistema informático automatizado, o EES tem como principal objetivo registar os dados de entrada e saída dos cidadãos de países terceiros, quer sejam ou não sujeitos a visto, que atravessam as fronteiras externas do espaço Schengen para estadias de curta duração (até 90 dias num período de 180 dias). Ao contrário do sistema atual, que se baseia na carimbagem manual de passaportes, o EES visa uma recolha de dados mais precisa e eficiente.

Controlo fronteiriço modernizado e segurança reforçada

No coração do EES está a ambição de reforçar a segurança do espaço Schengen. O sistema recolherá dados biométricos dos viajantes, incluindo impressões digitais e uma imagem facial, além de informações alfanuméricas como nome, tipo de documento de viagem e datas de entrada e saída. Esta abordagem digital permitirá identificar rapidamente os viajantes que excedam o período de estadia autorizado ou aqueles que representem um risco de segurança. A capacidade de detetar e monitorizar com maior eficácia a entrada e saída de indivíduos é vista como um passo crucial no combate à imigração irregular e na prevenção do crime transfronteiriço e do terrorismo. A interoperabilidade com outras bases de dados da UE também permitirá uma verificação cruzada de informações, fornecendo uma visão mais completa do histórico de viagens dos indivíduos. Além disso, a eliminação da carimbagem manual não só acelera o processo nas fronteiras, mas também reduz o risco de fraude documental.

Quem é afetado pela nova tecnologia

O EES terá um impacto direto em milhões de cidadãos de países terceiros que visitam a União Europeia anualmente. Incluem-se turistas, viajantes em negócios, estudantes e outros indivíduos que entram no espaço Schengen por períodos curtos. Os cidadãos da União Europeia, os residentes de longa duração na UE e aqueles que viajam sob regimes de livre circulação não serão afetados por este sistema. Para os viajantes abrangidos, a experiência de entrada e saída será alterada. Em vez de apresentar o passaporte para carimbo, serão submetidos a um processo de registo biométrico nos postos de fronteira. Isto poderá implicar a utilização de quiosques de autoatendimento em aeroportos e outros pontos de entrada, onde os viajantes poderão registar as suas impressões digitais e tirar uma fotografia, antes de interagirem com um guarda fronteiriço para a verificação final. A implementação exigirá que os viajantes se familiarizem com os novos procedimentos, e as autoridades fronteiriças terão de garantir uma comunicação clara para evitar confusões e atrasos.

O historial de atrasos e os motivos da última prorrogação

A jornada para a implementação do Sistema de Entrada/Saída (EES) tem sido marcada por vários adiamentos, refletindo a complexidade inerente a um projeto tecnológico desta escala. Inicialmente previsto para ser lançado em 2022, e posteriormente adiado para 2023 e depois para 2024, a mais recente prorrogação para setembro de 2026 sublinha a persistência de desafios substanciais. Estes atrasos não são incomuns em projetos de TI de grande dimensão, especialmente quando envolvem a coordenação de 27 Estados-Membros, cada um com as suas próprias infraestruturas e requisitos nacionais.

Desafios técnicos e operacionais na implementação

Os motivos por trás do último adiamento são multifacetados e centram-se, em grande parte, em questões técnicas e operacionais. Um dos principais desafios reside na garantia da interoperabilidade perfeita entre o sistema central do EES e as diversas infraestruturas nacionais dos Estados-Membros. Cada país tem os seus próprios sistemas de gestão de fronteiras, e a integração com o EES exige adaptações significativas e testes exaustivos para garantir que os dados fluam de forma segura e eficiente. Além disso, a modernização dos equipamentos nos postos de fronteira, incluindo a instalação de quiosques de autoatendimento para a recolha de dados biométricos e a atualização dos sistemas de verificação pelos guardas fronteiriços, revelou-se mais demorada e complexa do que o inicialmente previsto. A falta de equipamento adequado e a necessidade de formação intensiva para milhares de agentes fronteiriços em toda a União Europeia são obstáculos consideráveis que exigem tempo e recursos substanciais para serem superados.

As preocupações dos Estados-Membros e da indústria do turismo

As preocupações manifestadas pelos Estados-Membros e pela indústria do turismo tiveram um peso significativo na decisão de adiar o EES. Vários países expressaram reservas quanto à sua prontidão para implementar o sistema na data inicialmente prevista, citando a necessidade de mais tempo para a aquisição e instalação de tecnologia, a adaptação das infraestruturas aeroportuárias e portuárias, e a formação do pessoal. Temia-se que uma implementação apressada pudesse levar a atrasos significativos nas fronteiras, especialmente em aeroportos movimentados e em períodos de pico de viagens, resultando em caos e frustração para os viajantes. A indústria do turismo, que já enfrentou anos de perturbações, alertou para o impacto negativo que possíveis filas e confusões teriam na experiência do viajante e, consequentemente, na recuperação do setor. A pressão para garantir uma transição suave e sem problemas operacionais prevaleceu sobre a urgência de introduzir o novo sistema.

Implicações do adiamento e o caminho até 2026

O mais recente adiamento do Sistema de Entrada/Saída (EES) para setembro de 2026 tem várias implicações importantes, tanto a curto como a longo prazo. Embora represente um revés para a ambição da UE de ter um sistema de fronteiras totalmente digitalizado e modernizado em vigor, também oferece uma oportunidade crucial para garantir uma implementação mais robusta e eficiente. A decisão permite que os Estados-Membros e os operadores de infraestruturas tenham tempo adicional para resolver as questões pendentes e para garantir que o sistema esteja plenamente funcional no momento do lançamento.

O impacto nas fronteiras externas da União Europeia

Até setembro de 2026, as fronteiras externas da União Europeia continuarão a operar sob o sistema existente de carimbagem manual de passaportes para cidadãos de países terceiros. Isto significa que os benefícios da digitalização, como a identificação automática de viajantes que excedam o tempo de estadia permitido e a recolha precisa de dados biométricos, continuarão a ser adiados. No entanto, o tempo extra concedido pode ser crucial para evitar o caos que uma implementação apressada poderia ter causado. Os pontos de passagem fronteiriços, especialmente os aeroportos e os grandes portos, que são portas de entrada para milhões de viajantes, terão a oportunidade de testar exaustivamente novos equipamentos, otimizar os fluxos de passageiros e formar as suas equipas para lidar com os novos procedimentos. O adiamento visa mitigar o risco de longas filas e atrasos que poderiam sobrecarregar as infraestruturas existentes e prejudicar a experiência de viagem, particularmente durante os períodos de maior afluência turística.

A relação com o sistema ETIAS e futuras reformas

O adiamento do EES também tem implicações para o Sistema Europeu de Informação e Autorização de Viagem (ETIAS), outra iniciativa da UE destinada a reforçar a segurança das fronteiras. O ETIAS, que exigirá que os viajantes de países terceiros isentos de visto obtenham uma autorização de viagem online antes de chegarem à UE, depende da infraestrutura e dos dados recolhidos pelo EES para funcionar plenamente. Consequentemente, o ETIAS também deverá ser adiado e não poderá entrar em funcionamento antes de o EES estar operacional. Esta interdependência sublinha a complexidade da arquitetura de gestão de fronteiras da UE, onde vários sistemas estão interligados para criar uma rede de segurança abrangente. O atraso conjunto destes sistemas significa que a União Europeia terá de continuar a depender de medidas de segurança existentes e a trabalhar intensivamente nos próximos anos para alinhar todos os componentes da sua estratégia de gestão de fronteiras. O caminho até 2026 será marcado por um esforço contínuo de desenvolvimento tecnológico, coordenação entre os Estados-Membros e preparação operacional para garantir que, quando finalmente lançado, o EES cumpra os seus objetivos de segurança e eficiência sem comprometer a fluidez das viagens.

Fonte: https://www.theportugalnews.com

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