Vangelis Pavlidis, o prolífico avançado que se tem destacado como melhor marcador do Benfica com 28 golos esta época, abriu o coração numa extensa entrevista aos meios oficiais do clube da Luz. Nesta conversa reveladora, o futebolista grego revisitou os primórdios da sua paixão pelo futebol, recuando aos tempos em que o sonho de se tornar profissional parecia distante, mas era fervorosamente alimentado em campos improvisados. Pavlidis partilhou memórias vívidas da sua infância, onde a bola era a protagonista e as adversidades eram meros detalhes na busca incessante pela alegria do jogo. A sua narrativa sublinha a perseverança e a inocência de um miúdo que, sem saber, estava a pavimentar o caminho para os grandes palcos do futebol europeu. A história de Vangelis Pavlidis é um testemunho inspirador da dedicação inabalável, da resiliência e da crença nos sonhos de criança, que hoje se materializam nos relvados mais prestigiados.
As raízes do talento: a infância e os “pelados”
Os campos improvisados e a paixão inabalável
Vangelis Pavlidis recordou os seus primeiros pontapés na bola, numa época em que a paixão pelo futebol suplantava a carência de infraestruturas. Num parque adjacente à sua casa, na Grécia, onde não existia um campo de futebol propriamente dito, a criatividade infantil transformava o espaço. Mochilas serviam como balizas improvisadas num dos lados, enquanto uma simples parede ocupava o lugar da outra, criando o cenário perfeito para os jogos entre amigos. Era ali, em condições tão rudimentares, que os miúdos se perdiam em fantasias grandiosas, imaginando-se a competir na Liga dos Campeões ou noutros embates de alto nível. Essa era a essência do sonho partilhado por todas as crianças que aspiravam a um futuro no futebol, e Pavlidis vivenciava cada momento com uma intensidade que viria a moldar o seu percurso. A pureza e a espontaneidade desses jogos, onde o único objetivo era divertir-se e superar os amigos, foram a base para o desenvolvimento de uma ligação inabalável com o desporto.
O grito da mãe e a alegria das mazelas
Os desafios dos “pelados”, como eram conhecidos os campos de terra batida, eram uma constante na infância de Pavlidis. O contacto com o solo irregular e por vezes pedregoso resultava frequentemente em mazelas físicas, com os joelhos esfolados a serem uma imagem recorrente. O avançado partilhou a memória da sua mãe a repreendê-lo, angustiada ao vê-lo regressar a casa coberto de pó e sangue, fruto da sua dedicação incondicional ao jogo. Contudo, para o jovem Pavlidis e os seus amigos, essas cicatrizes eram insignificantes face à imensa alegria que sentiam. Naquela altura, sem outras preocupações, o futebol era tudo. A diversão de jogar com os amigos e a liberdade de simplesmente aproveitar a vida superavam qualquer dor ou o desconforto das admoestações maternas. Recordar esses dias é, para Pavlidis, revisitar uma fase “especial” da sua vida, onde a felicidade era encontrada na sua forma mais pura e descomplexada.
Do sonho infantil à realidade profissional na Luz
A imaginação como trampolim para a glória
A transição dos campos improvisados da infância para os relvados profissionais de hoje é um feito que Vangelis Pavlidis reflete com emoção. A imaginação que o transportava para as grandes arenas da Liga dos Campeões, enquanto jogava com mochilas como balizas, é agora uma realidade tangível. A adrenalina que sentia, na altura movida pelo simples desejo de vencer o seu melhor amigo, é a mesma que o impulsiona agora a cada jogo no Estádio da Luz, mas com uma intensidade e responsabilidade muito maiores. A diferença do ambiente, da emoção e da dimensão dos palcos onde atua é um testemunho da concretização de um sonho que abraçou quando tinha apenas oito ou nove anos. Poder sentir essa emoção e essa adrenalina em estádios como o da Luz é, para o futebolista, a validação de todas as horas dedicadas e de todos os sacrifícios feitos. O seu percurso é a prova de que a persistência e a crença nos ideais de criança podem, de facto, pavimentar o caminho para a glória.
O impacto atual e o futuro promissor
Atualmente, Vangelis Pavlidis não é apenas um jogador profissional; é o principal goleador de uma das maiores equipas de Portugal, o Benfica, com impressionantes 28 golos marcados esta época. A cada partida, o avançado grego demonstra a sua capacidade de finalização e a sua importância estratégica para a equipa da Luz. O ambiente e a emoção de jogar num estádio lotado são sentimentos que agora experimenta plenamente, contrastando com a simplicidade dos seus primeiros jogos. A adrenalina que o acompanhava desde a infância, agora assume uma nova dimensão, impulsionando-o a superar-se e a contribuir para os sucessos do seu clube. A sua transição de um miúdo que corria atrás da bola por pura diversão para um atleta de alta competição, com um impacto direto nos resultados da equipa, é um espelho da sua evolução e dedicação. A sua consistência e performance elevadas apontam para um futuro promissor, onde Pavlidis aspira a deixar uma marca indelével no futebol europeu.
A ascensão de um “Deus grego” no futebol europeu
Refletir sobre o percurso de Vangelis Pavlidis é compreender a essência da paixão pelo futebol. De um miúdo que corria em “pelados” na Grécia, com os joelhos esfolados e a mãe em desespero, a um avançado de elite que enverga a camisola do Benfica, o trajeto é de notável superação. A alcunha de “Deus grego”, que por vezes lhe é atribuída, não é apenas um gracejo, mas um reconhecimento do seu impacto avassalador em campo. A sua capacidade de marcar golos, a sua presença constante na frente de ataque e a sua dedicação ao jogo fazem dele uma figura central na equipa da Luz. Pavlidis não é apenas o melhor marcador; é um símbolo da ambição e da resiliência, um exemplo vivo de que os sonhos mais inocentes, quando nutridos com trabalho árduo e determinação, podem florescer nos maiores palcos. A cada golo, a cada jogada decisiva, Pavlidis revalida a escolha feita na infância, demonstrando que o futebol é mais do que um desporto: é uma vocação, um modo de vida, uma fonte inesgotável de emoção e realização. A sua história serve de inspiração, não só para jovens futebolistas, mas para qualquer um que persiga um objetivo com a mesma paixão e entrega que Vangelis Pavlidis demonstrou desde os seus primeiros pontapés na bola. O seu futuro no futebol europeu parece tão brilhante quanto a chama que o impulsionou desde os campos de terra da sua infância.
Fonte: https://www.noticiasaominuto.com