A emoção do futebol português viveu um dos seus capítulos mais intensos e contraditórios no passado sábado, em Leiria, onde a final da Taça da Liga culminou num inédito triunfo para o Vitória de Guimarães, que superou o seu rival minhoto, o Sporting de Braga, por 2-1. Contudo, a festa e o histórico feito desportivo foram ofuscados por uma profunda tragédia que abalou a comunidade futebolística: o falecimento de um adepto do Sporting de Braga. A dualidade entre a glória em campo e a tristeza fora dele marcou indelevelmente esta 19.ª edição da prova, transformando uma celebração num momento de luto e reflexão sobre a paixão que o desporto-rei provoca.
Vitória de Guimarães faz história na taça da liga
Um triunfo inédito e emocionante
O Vitória de Guimarães inscreveu o seu nome na história do futebol português ao conquistar, pela primeira vez, a Taça da Liga. Num embate eletrizante no Estádio Dr. Magalhães Pessoa, em Leiria, a equipa vitoriana protagonizou uma memorável reviravolta para bater o Sporting de Braga por 2-1, adicionando um troféu inédito ao seu palmarés. A final, que colocou frente a frente dois rivais do Minho, foi um verdadeiro hino à imprevisibilidade e paixão do futebol.
O Sporting de Braga adiantou-se no marcador logo aos 17 minutos, através de um soberbo livre direto convertido por Dorgeles, deixando os seus adeptos a sonhar com o quarto troféu da competição. No entanto, o Vitória de Guimarães demonstrou uma resiliência notável. A reviravolta começou a desenhar-se aos 59 minutos, com Samu a converter com frieza uma grande penalidade, restabelecendo a igualdade e relançando o jogo para uma fase de intensa disputa. O golo da vitória, que selaria o destino da Taça da Liga, surgiu aos 83 minutos, pela autoria de Alioune Ndoye. O avançado, que já havia sido decisivo ao ‘bisar’ na meia-final frente ao Sporting Clube de Portugal (2-1), voltou a ser o herói, garantindo o triunfo dos conquistadores.
O Sporting de Braga, que procurava o seu quarto título nesta que foi a sua sexta final, esteve perto de levar a decisão para as grandes penalidades. Nos descontos, aos 90+11 minutos, teve uma oportunidade de ouro para empatar, mas o guarda-redes vitoriano Charles defendeu um castigo máximo cobrado por Zalazar, frustrando as aspirações bracarenses e cimentando a vitória do Vitória. Este triunfo representou a terceira reviravolta do Vitória de Guimarães na prova, um percurso que incluiu uma vitória impressionante de 3-1 no terreno do então líder da I Liga, FC Porto, nos quartos de final.
Com esta conquista, o Vitória de Guimarães sucede ao Benfica, detentor do recorde de títulos com oito, e torna-se o sétimo clube a erguer a Taça da Liga em 19 edições. Este é o terceiro troféu nacional na história do clube, juntando-se à Supertaça Cândido de Oliveira de 1988 e à Taça de Portugal de 2012/13, solidificando o seu lugar entre os grandes do futebol português.
A sombra da tragédia na festa do futebol minhoto
O falecimento do adepto do sporting de braga
A euforia da vitória vitoriana e a beleza do espetáculo futebolístico foram inevitavelmente marcadas por um acontecimento profundamente triste. Um adepto do Sporting de Braga, de 65 anos, sentiu-se mal nas bancadas do Estádio Dr. Magalhães Pessoa, em Leiria, durante a partida. Foi prontamente assistido e transportado para o hospital, onde, infelizmente, acabou por não resistir e perdeu a vida. Esta trágica notícia lançou uma sombra de luto sobre a final, lembrando a fragilidade da vida mesmo nos momentos de maior paixão desportiva.
A informação foi confirmada por António Salvador, presidente do Sporting de Braga, que expressou o seu pesar após a derrota em Leiria. Numa declaração emocionada, Salvador lamentou profundamente o falecimento do adepto, transmitindo os seus sentimentos à família e amigos. Este incidente sublinha a importância da segurança e do bem-estar dos espectadores em eventos desportivos, e a forma como a emoção do jogo, por vezes, se entrelaça com os momentos mais difíceis da existência humana.
Reinaldo Teixeira, líder da Liga Portuguesa de Futebol Profissional (LPFP), também reagiu à notícia com um misto de pesar e reconhecimento pelo espetáculo. “Lamentar um adepto que se sentiu mal, foi para o hospital e chegou agora a triste notícia que faleceu. Os meus sentimentos para a família, amigos e clube que representava”, afirmou, demonstrando solidariedade. Contudo, Teixeira fez questão de sublinhar a beleza da final, defendendo que “a vida tem de continuar e é preciso dizer que esta festa foi muito bonita”, num esforço para equilibrar o luto com a celebração do futebol.
Reações e o futuro da competição
Elogios à final e ambições para a taça da liga
Apesar da tragédia que ensombrou a celebração, a final da Taça da Liga foi amplamente elogiada pela sua qualidade desportiva e pela emoção que proporcionou. Reinaldo Teixeira, presidente da LPFP, classificou a 19.ª edição da prova como “um hino ao futebol”, destacando a necessidade de o desporto-rei proporcionar alegria e motivação. “O futebol precisa de alegria, motivação, jogo com emoção e que no final haja final feliz. Esta final teve todas as razões para continuarmos a fazer desta competição ainda maior”, frisou o dirigente, reforçando o objetivo de elevar a Taça da Liga a um patamar de ainda maior importância no calendário nacional.
O entusiasmo de Reinaldo Teixeira reflete o desejo de consolidar a Taça da Liga como uma competição de prestígio, capaz de gerar grande interesse e espetáculo. A dramaticidade da final, com reviravoltas no marcador e momentos de alta tensão, como a defesa do penálti nos minutos finais, contribuiu para esta percepção de valor.
No entanto, as reações à final não se limitaram aos elogios. António Salvador, presidente do Sporting de Braga, para além de confirmar o falecimento do adepto, foi veemente na sua crítica à arbitragem, adicionando uma camada de controvérsia ao desfecho da partida. Esta postura é comum em grandes finais, onde o peso do resultado amplifica a análise de cada decisão. A paixão e a rivalidade minhota, que foram evidentes dentro e fora do campo, foram elementos que enriqueceram a narrativa desta final, tornando-a, para o bem e para o mal, inesquecível. A combinação de um desfecho histórico, uma tragédia humana e a natural controvérsia pós-jogo, garante que esta final da Taça da Liga será recordada por muitos anos.
Perguntas frequentes (FAQ)
1. Quem conquistou a Taça da Liga na sua 19.ª edição?
O Vitória de Guimarães conquistou a Taça da Liga pela primeira vez na sua história, ao vencer o Sporting de Braga na final.
2. Qual foi o resultado da final entre Vitória de Guimarães e Sporting de Braga?
O Vitória de Guimarães venceu o Sporting de Braga por 2-1, após uma reviravolta no marcador.
3. O que aconteceu ao adepto do Sporting de Braga durante a final?
Um adepto do Sporting de Braga, de 65 anos, sentiu-se mal no estádio e, após ser transportado para o hospital, acabou por falecer.
4. Quem foram os marcadores dos golos na final da Taça da Liga?
Dorgeles marcou para o Sporting de Braga, enquanto Samu (de grande penalidade) e Alioune Ndoye marcaram para o Vitória de Guimarães.
5. Quantos títulos nacionais tem agora o Vitória de Guimarães com esta Taça da Liga?
Com a conquista da Taça da Liga, o Vitória de Guimarães soma agora três troféus nacionais: a Supertaça Cândido de Oliveira (1988), a Taça de Portugal (2012/13) e a Taça da Liga (2026).
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